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Riscos Ocupacionais.

Risco Químico

O que é Risco Químico?

Os riscos químicos no ambiente de trabalho caracterizam-se pela possibilidade do contato do trabalhador com substâncias, compostos ou produtos tóxicos que possam penetrar no organismo do trabalhador através da via respiratória ou serem absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão causando agravos à saúde. Outra forma de risco químico é a presença de substâncias que diminuem a concentração de oxigênio em um ambiente específico, podendo levar a morte do trabalhador por asfixia simples, ou seja, pela falta de oxigênio no ar.

Alguns exemplos de riscos químicos são: poeiras minerais, como a sílica, que causa a silicose; a poeira do bagaço da cana-de-açúcar e os fumos metálicos liberados em processos de fundição. Os riscos químicos causam consequências como: dores de cabeça, irritação, doenças pulmonares e até a morte.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, há mais de 11 milhões de substâncias registradas e são sintetizados cerca de 6.000 novos produtos anualmente.

Das substâncias químicas, cerca de 1.200 têm limites de tolerância estabelecidos em diversos países, sendo que no Brasil temos pouco mais de 200 limites de tolerância estabelecidos.

Riscos Químicos:

Poeiras

São formadas quando um material sólido é quebrado muído ou triturado.

Quanto menor a partícula, mais tempo ela ficará suspensa no ar, aumentando a chance de ser inalada.

Exemplo de Risco Químico Poeiras

  • Poeira Mineral;
  • Poeira dos processos de britagem e moagem;
  • Lixamento de madeira;
  • Jateamento de areia;
  • Fabricação de vidros;
  • Trituração de cana;
  • Etc.

Gases

São substâncias que, à temperatura ambiente, estão no estado gasoso.Na maioria das vezes são invisíveis.

Exemplo de Risco Químico Gases

  • Monóxido de carbono dos escapamentos dos carros;
  • Hidrogênio;
  • Gás carbônico;
  • Gás de cozinha;
  • Outros

Fumos

Ocorrem quando um metal é fundido (aquecido) e vaporizado, resfriando-se rapidamente e criando partículas muito finas que ficam suspensas no ar.

Exemplo: Operação de soldagem e fundição.

Névoas

São pequenas gotículas que ficam suspensas no ar, usualmente criadas por operações com spray.

Exemplo: Aplicação de agrotóxicos, pinturas em spray.

Vapores

 São substâncias que evaporam de um líquido ou sólido, da mesma forma que a água é transformada em vapor d’água. Geralmente são caracterizados pelos odores.

  • Monóxido de carbono dos escapamentos dos carros;
  • Hidrogênio;
  • Gás carbônico;
  • Gás de cozinha;
  • Outros

Insalubridade Risco Qúimico – Limite de Tolerância

Exemplo Quadro 1 do anexo 11 da NR 15.

Os limites fixados nesse quadro são válidos para absorção apenas por via respiratória.

Observo que há outras substâncias não listadas que podem ser prejudiciais à saúde do trabalhador.

Há três vias de penetração no organismo:

  • Via respiratória, pela respiração;
  • Via cutânea, pela pele;
  • Via digestiva, pela alimentação.

O quadro define:

  • Valor teto: Valor que não pode ser excedido;
  • Se é absorvida pela pele: O que exige o uso de luvas adequadas para sua manipulação, além de outros EPIs necessários à proteção de outras partes do corpo;
  • Duas unidades de medidas diferentes para se calcular o limite de tolerância;
  • Se o agente é asfixiante, e no caso de afirmativo, se simples ou químico;
  • Adicional de insalubridade e o grau de insalubridade.

Risco  Químico Asfixiantes

Os agentes asfixiantes são aqueles que produzem anoxemia, ou seja, a deficiência de oxigênio nos tecidos do organismo.

Os asfixiantes podem ser:

Asfixiantes simples.

Estes gases são substâncias que deslocam o oxigênio do ambiente diminuindo, assim, a concentração de oxigênio, levando a asfixia. São muito perigosos, pois normalmente não são percebidos pelo trabalhador. Em sua maioria, não possuem cor ou odor.

Asfixiantes químicos:

São substâncias que ao ingressarem no organismo interferem na perfeita oxigenação dos tecidos.

Os agentes químicos também podem ser classificados como:

  • Anestésicos ou Narcóticos, devido a ação depressiva sobre o sistema nervoso central
  • Irritantes, estes produzem inflamação nos tecidos com os quais entram em contato direto, tais como a pele, os olhos e as vias respiratórias.

Profissional de segurança do trabalho, membro da CIPA ou o designado CIPA não precisam conhecer todos os agentes químicos insalubres.

Nas empresas onde existe a possibilidade da presença de poeiras, névoas, fumos metálicos, gases e vapores, recomenda-se que a identificação, análise de concentração e exposição do trabalhador sejam realizadas por profissional altamente especializado no assunto. Os resultados da análise e as medidas protetivas propostas devem constar no PPRA e ser de fácil compreensão.

Insalubridade Risco Químico – Inspeção realizada no local de trabalho

O anexo 13 da Norma Regulamentadora 15 apresenta uma relação de atividade e operações envolvendo produtos químicos consideradas insalubres, em decorrência de inspeção realizadas no local de trabalho. A insalubridade é estabelecida por análise qualitativa. O grau de insalubridade também está definida no anexo.

Observo que as atividades ou operações com os agentes químicos que já tenham sido incluídas no quadro 1 do anexo 11 que conhecemos há pouco excluem-se desta relação.

No anexo 13 estão listados agentes como arsênico, carvão, chumbo, cromo, fósforo, hidrocarboneto e outros compostos de carbono: mercúrio, silicatos e substâncias cancerígenas, como metanfetamina.

As consequências dos agentes químicos podem ser: pneumoconiose do carvão, transtornos gastrointestinais, câncer, anemia e outros.

 Os fatores que potencializam os riscos são a concentração do agente químico, o estado físico da matéria, que pode ser: sólido, em diferentes dimensões e formato, líquido, gasoso e plasma, o tempo de exposição e a susceptibilidade individual, pois cada organismo reage de forma diferente.

Para exemplificar como a concentração e o tempo de exposição podem influenciar nos efeitos danosos à saúde, ocasionados pela exposição à agentes químicos, apresento esta tabela que nos mostra os efeitos do monóxido de carbono no organismo. O monóxido de carbono é comumente encontrado no ambiente de trabalho.

Observe que o mesmo tempo de exposição, duas horas, em diferentes concentrações, pode gerar de uma leve dor de cabeça a um desmaio.

Por outro lado, altas concentrações, mesmo que em um pequeno tempo de exposição, podem ter efeitos catastróficos, como a morte.

O anexo 12 da NR 15 refere-se as Poeiras Minerais, especificamente:

  • Asbesto, conhecido como amianto;
  • Manganês e seus compostos;
  • Sílica livre e cristalizada.

A OMS – Organização Mundial de Saúde – concluiu que o amianto causa mais de 100 mil mortes por ano e é proibida em mais de 50 países.

No Brasil, a decisão de proibir o amianto já foi ratificada pelo Superior Tribunal Federal.

Para o manganês, o item 5 diz:

“As avaliações de concentração ambiental e caracterização da insalubridade somente poderão ser realizadas por engenheiro de segurança do trabalho ou médico do trabalho conforme previsto no art. 195 da CLT.”

Estas avaliações devem estar presentes no PPRA e no PPR Programa de Proteção Respiratória que deve ser implementado nas empresas com riscos respiratórios.

Sílica Livre Cristalizada é a principal causadora da doença denominada silicose e está presente em várias indústrias, como na mineração, na Indústria de cerâmica e vidro, na metalurgia, fundição e siderurgia, na construção civil, entre outros. Com estas características que a colocam como grande vilã, a Fundacentro lançou o Manual do Trabalhador, disponível também em: www.fundacentro.gov.br. O manual encontra-se em nosso material de revisão.

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