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Riscos Ocupacionais.

Temperaturas Extremas Calor e Frio

Temperaturas Extremas um Riscos Físico.

Os riscos físicos são as diversas formas de energia presentes no ambiente de trabalho, tais como: ruído, vibração, calor, frio, pressão, radiações, entre outros que podem ser prejudiciais à saúde do trabalhador ou podem causar acidentes.

Este se enquadra dentro dos riscos ambientais e fazem parte do PPRA – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais.

Temperaturas Extremas – Calor

O Corpo Humano e a Termorregulação

O corpo humano busca manter uma temperatura interna aproximadamente constante em torno de 37º, seja qual for a temperatura externa. Esta temperatura não deve variar mais do que 4 graus, para mais ou para menos, pois esta variação leva a vários riscos chegando até ao risco de morte.

Para manter a temperatura do corpo, a fisiologia humana tem como característica a existência de mecanismos de regulação da temperatura interna, conhecido como termorregulação, assim, evitando grandes variações da temperatura interna.

Esta capacidade de manter a temperatura aproximada dos 37º pode ser influenciada por fatores externos e internos.

A temperatura, a incidência de vento e a exposição ao calor radiante no local em que se executa a atividade influenciam na temperatura interna do trabalhador. O calor radiante pode ser proveniente dos raios solares ou emitidos por equipamentos presentes em diferentes indústrias.

A umidade relativa do ar e o metabolismo do indivíduo, devido a atividade física, também têm grande influência na temperatura interna do trabalhador.

A umidade relativa do ar influencia na capacidade do corpo humano de produzir e liberar suor. O suor é um dos principais mecanismos de controle térmico do ser humano. Como sabemos, quando a temperatura está elevada, suamos, e assim, expulsamos parte do calor interno ao retirar o calor da pele para o ambiente. No entanto, quanto a umidade relativa do ar está elevada, a evaporação do suor se torna difícil, assim, suamos mais na forma líquida e menos na forma de vapor. Este fato reduz a eficiência do corpo de expulsar o calor. Desta forma, a umidade relativa do ar influencia diretamente na temperatura corporal do trabalhador.

Outro fator muito importante são as atividades físicas. Quando nosso corpo está em atividade, ele está gastando a energia que vem dos alimentos que ingerimos. Parte desta energia é convertida em calor interno. É esta elevação da temperatura interna que faz com que o corpo humano sue durante atividades físicas intensas.

Calor Como Fator de Insalubridade

O desconforto térmico relacionado ao calor ocorre com frequência na construção civil e nas indústrias extrativas em suas formas primárias, devido à exposição a radiação solar, assim como na indústria com atividades próximas a fontes de calor, como caldeiras, fornos e estufas para diversas finalidades.

As temperaturas internas elevadas que levam a sobrecarga térmica podem acarretar em diferentes patologias como taquicardia, aumento da pulsação, cansaço, irritação, prostração térmica, choque térmico, perturbações das funções digestivas e hipertensão.

Outro risco que devemos estar atentos é o risco de acidente, pois em temperaturas elevadas, o trabalhador tem seu rendimento físico e mental minimizado, o que acaba induzindo a erros de raciocínio e percepção, desencadeando acidentes. Por isso, é importante manter o equilíbrio térmico no local de trabalho.

Limite de Tolerância Calor

O calor possui Limites de Tolerâncias definidos na Norma Regulamentadora 15. Para saber se o calor pode acarretar em riscos à saúde do trabalhador, devemos conhecer estes limites de tolerância, que representam as condições que podem afetar a saúde do trabalhador em relação ao calor.

O valor da temperatura é medido em IBUTG, que é o Índice do Bulbo Úmido, Termômetro de Globo. Este índice avalia três temperaturas diferentes com o uso de três termômetros, garantindo assim que sejam avaliadas a temperatura e a influência da umidade relativa do ar e do calor radiante. Estes três termômetros são:

  • Termômetro de bulbo úmido natural: mede a queda de temperatura ocasionada pela evaporação da água. Esta queda de temperatura corresponde ao mecanismo de controle de temperatura do corpo pelo suor e é influenciado pela umidade relativa do ar.
  • Termômetro de globo: mede o calor radiante, ou seja, o calor proveniente da radiação.
  • Termômetro de Bulbo Seco: mede a temperatura ambiente.

Como mencionado, temos que levar em consideração o metabolismo, a atividade física exercida pelo trabalhador.

O Quadro 3 do anexo 2 da NR 15

Ao se conhecer como definir metabolismo e sabendo o IBUTG, pode-se analisar se a atividade têm potencial para gerar problemas de saúde ao trabalhador.

Limite de Tolerância para exposição ao calor.

Há dois tipos de Limite de Tolerância para exposição ao calor

O Limite de Tolerância para trabalho em regime intermitente com período de:

Descanso no próprio local de trabalho.

Quadro 1 do anexo 2 da NR 15.

O Quadro 1 do anexo 2 da NR 15. apresenta o tempo de descanso determinado no local de trabalho por tipo de atividade realizada (Leve, Moderada ou Pesada ) e o IBUTG levantado no local de trabalho.

Observações:

  • Quanto maior o metabolismo, menor o IBTUG permitido
  • Para IBTUG muito elevado, não é permitido a atividade sem a adoção de medidas adequadas de controle.
  • Quanto o IBTUG ou a taxa metabólica, maior o tempo de descanso exigido.

Limite de Tolerância para o trabalho em regime intermitente com período de:

Descanso em ambiente termicamente mais ameno.

O Quadro 2, anexo 2 da NR15

O Quadro 2, anexo 2 da NR15 indica uma relação entre o IBUTG e a taxa metabólica da atividade, fazendo uma média ponderada entre o período de descanso e o período em atividade. Para isso deve-se analisar ambos, IBUTG e Taxa metabólica, no período de trabalho e no período de descanso.

A variável M leva em consideração a taxa metabólica em atividade e em descanso, conforme fórmula a seguir.

M = (Mt x Tt) + (Md x Td)
60

  • Mt – Taxa de metabolismo no local de trabalho
  • Tt – Soma dos tempos em minutos, em que se permanece no local de trabalho.
  • Md – Taxa de metabolismo no local de descanso.
  • Td – Soma dos tempos em minutos, em que se permanece no local de descanso.

Obs: A soma de Tt e Td deve ser igual a 60 minutos

E o IBUTG é calculado em função do IBUTG no local de trabalho e o IBUTG no local de descanso, conforme formula a seguir.

IBUTG = (IBUTGt x Tt) + (IBUTGd x Td)
   60

  • IBUTGt – Valor do IBUTG no local de trabalho
  • IBUTGd – Valor do IBUTG no local de descanso
  • Tt – Soma dos tempos em minutos, em que se permanece no local de trabalho.
  • Td – Soma dos tempos em minutos, em que se permanece no local de descanso.

Obs: A soma de Tt e Td deve ser igual a 60 minutos

O M e o IBTUG usados nesta tabela são uma média ponderada para uma hora, considerando o período mais desfavorável do ciclo de trabalho e são determinados por duas fórmulas similares.

Calcula-se o M ao multiplicar a taxa metabólica no local de trabalho pelo tempo de trabalho, somado a  taxa metabólica no local de descanso multiplicado pelo tempo de descanso. O resultado deve ser dividido por 60.

Calcula-se o IBTUG intermitente ao multiplicar o IBTUG no local de trabalho pelo tempo de trabalho, somado ao IBTUG no local de descanso multiplicado pelo tempo de descanso. O resultado deve ser dividido por 60.

Em ambas as fórmulas, a soma do tempo de trabalho e de descanso devem corresponder a 60 minutos, pois o cálculo é uma média ponderada para uma hora de trabalho.

Os períodos de descanso serão considerados tempo em serviço para todos os efeitos legais.

Frio Como Fator de Insalubridade

Em oposição ao calor, temos o frio. Para o frio, não há Limite de tolerância de exposição definidas pela NR15. A avaliação é qualitativa.

Anexo 9 da NR5:

“As atividades ou operações executadas no interior de câmaras frigoríficas ou em locais que apresentem condições similares que exponham os trabalhadores ao frio, sem a proteção adequada, serão consideradas insalubres em decorrência de laudo de inspeção realizada no local de trabalho.”

Diversas atividades laborais expõem os trabalhadores a possíveis danos causados pelo frio. Destacam-se atividades a céu aberto em regiões frias, realizadas em câmaras e navios frigoríficos, trabalhos de embalagem e manuseio de cargas congeladas, entre outros.

Assim como para o calor a umidade relativa do ar alta também aumenta a capacidade do frio de causar danos. Quanto mais úmido o ambiente, maior a capacidade do ar de retirar calor do corpo humano, diminuindo nossa temperatura interna. A água é 25 a 30 vezes mais condutiva de calor que o ar, significando que o trabalhador em ambiente úmido pode perder de 25 a 30 vezes mais o calor do corpo para o ambiente do que se estivesse seco.

O vento também é um fator importante que aumenta a suscetibilidade do indivíduo ao frio, devido à sua capacidade de causar perda de calor. Como sabemos, quando está calor, ligamos o ventilador.

Assim, concluímos que a gravidade da exposição ocupacional ao frio deve levar em consideração a temperatura do ar, a umidade relativa do ar, a velocidade do vento e a atividade física.

A exposição ao frio pode causar diferentes danos a saúde do trabalhador. As doenças e ferimentos causados pelo frio ocorrem quando a perda de calor do corpo excede a produção de calor.

As lesões produzidas pela ação do frio afetam principalmente as extremidades e áreas salientes do corpo, como pés, mãos, face e outras.

Sem a devida proteção, o frio pode causar: ulcerações, hipotermia, fenômeno de Raynaud, pé de imersão, frosbite e até a morte.

O Corpo Humano e o frio

Quando a temperatura do corpo cai abaixo de 35°C, ocorrem fortes tremores, e isto deve ser considerado como aviso de perigo para os trabalhadores.

Quando a temperatura central do corpo cai abaixo de 33°C, a sensação de frio e dor tende a diminuir por causa da perda de sensibilidade que o frio causa. Neste momento, o trabalhador sente fraqueza muscular e adormecimento e já se encontra em hipotermia. Outros sintomas de hipotermia incluem a percepção reduzida e pupilas dilatadas.

Conforme o frio aumenta ou o período de exposição se prolonga e o corpo atinge 27°C, o trabalhador entra em coma. A atividade do coração para ao redor de 20°C e a cerebral a 17°C de temperatura interna.

Recomendações Para Trabalhos em Ambientes Frios

  • Evitar o trabalho solitário em ambientes frios. O trabalhador deve estar em constante observação ou trabalhar em duplas;
  • Evitar sobrecarga de trabalho de forma a evitar sudorese intensa que possa causar umedecimento da vestimenta. Quando da realização de trabalho intenso, devem-se adotar períodos de descanso em abrigos aquecidos, com troca de vestimenta molhada por seca, sempre que necessário;
  • Nos casos em que as roupas oferecidas aos trabalhadores não forem suficientes para prevenir a hipotermia ou enregelamento, o trabalho deve ser modificado ou interrompido até que roupas adequadas sejam providenciadas;
  • A troca de meia ou palmilhas removíveis sempre que as mesmas estiverem umedecidas;
  • O local de trabalho deve ser planejado de forma que o trabalhador não passe longos períodos parados. Local frio não pode ser utilizado como área de repouso. Não deve existir no ambiente assentos metálicos de cadeiras desprotegidos;
  • As portas de câmaras frigorificas ou outras dependências refrigeradas em que haja trabalhadores operando devem ser dotadas de sistema que permita a abertura das portas internamente, caso os trabalhadores fiquem involuntariamente presos;

A Norma Regulamentadora 29 “Segurança e saúde no trabalho portuário” dispõe quanto ao regime de trabalho em locais refrigerados. Estas orientações são para pessoas adequadamente vestidas para exposição ao frio.

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